Impressões, álbuns, quadros: todos os termos técnicos explicados com clareza, para propores o suporte certo aos teus clientes sem nunca seres apanhado desprevenido.
Moldura flutuante, dibond, laminagem, acetinado, contracolagem… Assim que começas a vender produtos impressos, descobres todo um vocabulário técnico. Conhecê-lo muda tudo: propões o suporte certo com confiança, valorizas o teu trabalho e nunca perdes o fio quando um cliente faz uma pergunta.
Este léxico abrange tudo o que um fotógrafo vende: as impressões, os álbuns, os quadros, os produtos pequenos que fazem subir o valor médio da venda e o vocabulário do laboratório com que te vais cruzar logo na primeira encomenda. Mantém-no à mão, ou envia-o a um colega que esteja a começar.
Como ler este léxico:
De cada termo encontras o que é, para que serve e em que gama se situa (entrada, gama média ou premium). Os preços não são indicados: variam demasiado de laboratório para laboratório e de país para país.
No fim da página há um índice alfabético, se procuras um termo específico.
1. Os acabamentos de superfície
Estes acabamentos aplicam-se tanto às impressões como aos suportes de parede. É muitas vezes a primeira escolha a fazer, e a mais visível.
Brilhante. Superfície muito refletora, cores saturadas e pretos profundos. Dá muita força às imagens, mas devolve reflexos e marca as dedadas. A evitar em frente a uma janela ou a um foco.
Mate. Nenhum reflexo, resultado suave e elegante, ideal em divisões muito luminosas. Em contrapartida, o contraste e a saturação parecem ligeiramente atenuados.
Acetinado (ou lustre, semibrilhante). O compromisso entre brilhante e mate, e o acabamento mais versátil. Poucos reflexos, boa reprodução da cor. É a escolha por omissão de muitos fotógrafos, ao ponto de alguns não proporem outra coisa: fica bem com quase todas as imagens e nunca deixa ninguém em apuros.
Metalizado. Papel com reflexo perolado que dá um efeito de profundidade e brilho espetacular. Magnífico em certas imagens (paisagens, contraluz, fotos muito gráficas), mas reserva-o para essas: não serve para tudo. Posicionamento premium.
Perolado. Próximo do metalizado, com um reflexo mais discreto. Um leve brilho que valoriza os retratos.
Textura (ou grão). O relevo da superfície, venha ele do próprio papel (fine art, algodão, tela) ou de um filme aplicado por cima (laminagem texturada). É o único critério deste capítulo que não se vê numa fotografia: toca-se. E é também o que fecha mais vendas, porque um cliente que segura o produto já começou a comprá-lo.
2. As impressões
A impressão é a fotografia levada ao papel. Por trás desta palavra simples escondem-se processos e papéis muito diferentes.
Impressão química (tipo C, lambda). Revelada em verdadeiro papel fotossensível por via química, tal como na época do rolo, mas exposta a partir do teu ficheiro digital. Resultado clássico e fiel, com muito boa durabilidade. É o padrão dos laboratórios profissionais.
Impressão a jato de tinta (giclée). Impressa com tintas de pigmento depositadas sobre o papel. Abre a uma grande variedade de papéis, sobretudo os fine art. O termo «giclée» costuma reservar-se à impressão de arte de gama alta.
Ampliação. Na linguagem dos laboratórios, uma impressão de grande formato, por oposição aos formatos pequenos vendidos em série. Muitos catálogos separam as duas linhas: impressões de um lado, ampliações do outro, por vezes com papéis e processos diferentes. Não estranhes se o teu grande formato não estiver na mesma secção.
Papel RC (resinado). O papel fotográfico corrente, revestido por uma fina camada de resina que o torna resistente. Disponível em brilhante, acetinado ou mate. Boa relação qualidade-preço, gama média.
Papel fine art. Papéis de gama alta, muitas vezes texturados e sem ácido, com resultado mate e profundo. O seu grão lembra o papel de desenho ou de aguarela, que é precisamente a primeira coisa que os clientes dizem quando lhe tocam, e um excelente gatilho de venda. Posicionamento premium.
Papel baritado. Papel fine art com uma camada de barita que dá pretos muito profundos e um resultado próximo da câmara escura de prestígio. Um grande clássico da fotografia de arte.
Papel de algodão. 100 % algodão, sem ácido, de conservação muito longa e toque texturado. O mais nobre dos papéis fine art.
Gramagem (g/m²). O peso do papel, que traduz a sua espessura. Quanto mais alta, mais espesso, rígido e valioso ao toque. Um argumento concreto para pôr nas mãos do cliente.
Margens e sangrado. Uma impressão pode ser produzida com sangrado (a imagem chega à margem da folha) ou com margens (uma faixa branca rodeia a imagem). As margens deixam espaço para a assinatura, protegem a imagem ao manuseá-la e facilitam o emolduramento. Indica-o na encomenda, senão o laboratório aplica a sua definição por omissão.
Formato e proporção. As proporções da impressão (2:3 diretamente do sensor, por exemplo, ou formatos recortados como o quadrado). Verifica cedo, porque recortar pode alterar a composição.
Contracolagem. Colar a impressão sobre um suporte rígido (cartão de espuma, dibond, forex) para a tornar rígida, protegê-la e poder expô-la sem moldura. Voltamos a isto na secção dos quadros. É também a forma mais económica de transformar uma impressão num objeto de parede, o que faz dela uma boa resposta a orçamentos apertados.
Impressão assinada, edição limitada, certificado de autenticidade. A forma de vender uma fotografia como obra de arte numerada e assinada. Acrescenta valor percebido e justifica um posicionamento premium.
3. Os álbuns
O álbum é o produto emocional por excelência: conta uma história. Atenção a não o confundir com um simples fotolivro de grande público.
Álbum contra fotolivro. O fotolivro é um produto de grande consumo, de páginas finas impressas como uma revista. O álbum profissional é um objeto de gama alta, de fabrico cuidado, com páginas espessas ou de abertura plana. Não são os mesmos produtos nem o mesmo valor. O teste que resolve a questão: põe os dois lado a lado à frente de um cliente. Aquele que ele pode encomendar sozinho na internet deixa de ser um argumento de venda no mesmo instante.
Álbum de abertura plana (lay-flat). Encadernação que permite abrir a página dupla completamente na horizontal, sem quebra nem perda no centro. Ideal para panorâmicas que se estendem por duas páginas. Um verdadeiro argumento premium.
Páginas rígidas (cartonadas). Páginas espessas e sólidas, muitas vezes contracoladas. Transmitem qualidade e duram. Na fotografia de família o argumento escreve-se sozinho: são crianças que vão manusear este álbum, e vão fazê-lo durante anos. O oposto das páginas flexíveis, mais finas.
Medianiz. A zona central da página dupla, ao nível da encadernação. Num álbum que não abre na horizontal, nunca coloques aí um rosto ou um elemento importante, porque a dobra vai engoli-lo.
Sangria. A parte da imagem que transborda deliberadamente da margem e será cortada no acabamento, para evitar qualquer filete branco. Um termo sobretudo útil do lado da paginação.
Folha, página, página dupla. Fonte clássica de mal-entendidos na encomenda: um álbum de «20 páginas» num laboratório pode significar 20 folhas, ou seja 40 páginas impressas, ou 20 páginas, ou seja 10 páginas duplas. Verifica sempre como conta o teu fornecedor, senão o teu preço de venda e a tua paginação partem de uma base errada.
Modelo e software de paginação. O modelo é a medida exata (dimensões, sangria, medianiz) fornecida pelo laboratório para preparares as tuas páginas duplas. Alguns fotógrafos paginam num software dedicado e exportam as páginas duplas, outros trabalham diretamente na ferramenta online do laboratório. A qualidade dessa ferramenta conta mais do que se pensa: é aí que se vão as tuas horas, não à frente da impressora.
Capa. O primeiro elemento que se vê e se toca. Opções correntes: pele, pele sintética, linho ou tecido, veludo, madeira, acrílico, ou capa fotográfica (com a imagem impressa, por vezes através de uma janela chamada «cameo»). É a rubrica em que os catálogos oferecem mais escolha, várias dezenas de materiais nalguns laboratórios, e portanto aquela que permite fazer o cliente escolher.
Gravação a seco, gravação, estampagem a quente, verniz seletivo. As técnicas de personalização da capa: nome, data ou logótipo marcado em baixo-relevo (gravação a seco), gravado, aplicado a folha dourada ou prateada (estampagem a quente), ou depositado em verniz brilhante sobre fundo mate (verniz seletivo, a não confundir com o verniz de proteção das telas, mais abaixo). Pequeno pormenor, grande efeito de personalização, e uma excelente forma de fazer subir um cliente para um álbum superior.
Caixa de apresentação. Um estojo que contém o álbum e engrandece o momento da entrega. Transforma um álbum em presente e aumenta o valor percebido. Alguns fotógrafos entregam uma com cada álbum por princípio: é também o que protege o objeto durante a sua vida numa casa.
Estojo deslizante (slipcase). Uma bainha onde o álbum desliza, para o proteger. Alternativa ou complemento da caixa de apresentação.
Caixa de provas (folio box). Uma caixa elegante com impressões soltas, e por vezes uma pen com os ficheiros. Uma alternativa ao álbum para quem quer impressões apresentáveis, e um excelente suporte para valorizar um papel fine art que o cliente poderá manusear folha a folha.
Álbum dos pais (duplicado). Cópias, muitas vezes em formato mais pequeno, do álbum principal, destinadas aos avós ou à família. Uma venda adicional quase automática.
4. Os quadros (arte de parede)
É a categoria com o vocabulário mais denso, e muitas vezes a mais rentável. Nela distingue-se o suporte (sobre o que a imagem é impressa) do acabamento ou emolduramento (como é apresentada).
Atenção aos nomes de marca. Boa parte do vocabulário da arte de parede vem de marcas registadas tornadas nomes comuns: Dibond (alumínio composto), Forex (PVC expandido), Plexiglas (acrílico, PMMA), Diasec (processo patenteado de contracolagem sob acrílico), ChromaLuxe (painel de alumínio por sublimação).
Consequência prática: um laboratório pode muito bem oferecer exatamente o produto que procuras com outro nome. Descreve o material e o processo em vez da marca e passarás finalmente a comparar coisas comparáveis.
Os suportes de parede
Impressão emoldurada. O grande clássico: uma impressão em papel, normalmente com passe-partout, dentro de uma moldura e sob vidro. Quente e intemporal.
Tela (canvas). Imagem impressa sobre tela, esticada ou colada num suporte de madeira. Resultado quente, à maneira da pintura, sem vidro e leve. Duas reservas a conhecer: a textura da tela retira alguma nitidez, e é um produto que divide. Alguns fotógrafos fazem dela um êxito de vendas, outros recusam-se terminantemente a propô-la. Vê uma ao vivo antes de decidires.
Grade (bastidor). A estrutura de madeira sobre a qual a tela é montada. A sua profundidade determina a espessura do quadro (fina, ou espessa tipo galeria). Sobretudo, atrás da mesma palavra escondem-se duas montagens muito diferentes: a tela esticada (fixada nas margens da grade, com vazio por trás) e a tela colada em toda a superfície de um painel maciço. A primeira pode afrouxar com os anos e acumular pó atrás; a segunda mantém-se perfeitamente plana. Uma pergunta a fazer sempre ao laboratório, porque não se vê numa foto de catálogo.
Dibond (alumínio composto). Painel rígido e leve feito de duas camadas finas de alumínio à volta de um núcleo plástico. A impressão é contracolada sobre ele, ou a imagem é impressa diretamente por cima. Resultado moderno, plano, nítido, sem moldura. Muito procurado hoje, e declinável do orçamento apertado (impressão contracolada) ao premium (com moldura flutuante).
Painel laminado. Uma impressão contracolada sobre painel rígido e revestida por um filme de acabamento, muitas vezes texturado, que protege a imagem e lhe dá carácter. Nem vidro nem moldura obrigatória, arestas acabadas e biseladas, muito boa resistência no tempo e garantias longas nalguns fabricantes. Três argumentos imbatíveis em sessão de visionamento: não retém as dedadas, limpa-se com um pano seco e tem uma textura que se sente logo ao pegar-lhe. Em muitos estúdios de gama alta tornou-se o produto de parede número um. Posicionamento premium.
Contracolagem sob acrílico (Diasec). A impressão é colada nas costas de uma placa de acrílico transparente. Dá profundidade, brilho e intensidade de cor espetaculares. O topo de gama da arte de parede. «Diasec» designa o processo patenteado de contracolagem. A não confundir com a impressão direta sobre acrílico, menos profunda e mais barata.
Acrílico (Plexiglas, PMMA). O material transparente, semelhante ao vidro mas inquebrável e mais leve, usado para a contracolagem acima, para a impressão direta, ou como placa de proteção em vez do vidro.
Impressão em alumínio (sublimação, ChromaLuxe). A imagem é sublimada diretamente dentro de uma placa de alumínio. Cores intensas, aspeto muito contemporâneo, resistente à água e aos riscos.
Madeira. Impressão direta sobre um painel de madeira, cujos veios transparecem. Resultado quente e decorativo, apreciado em lifestyle e natureza.
Forex (PVC expandido). Painel plástico leve e económico. Gama de entrada, usado mais para amostras ou decoração simples do que como produto premium.
Impressão direta contra contracolagem. A distinção que explica metade das diferenças de preço deste capítulo. Na impressão direta, as tintas são depositadas sobre o próprio suporte (madeira, dibond, acrílico): menos etapas, menos custo, e um resultado muito dependente do material. Na contracolagem, faz-se primeiro uma verdadeira impressão fotográfica e cola-se depois sobre o suporte: a qualidade de imagem é a de uma impressão, e é o que fazem os laboratórios de gama alta. Dois quadros ambos vendidos como «dibond» podem portanto não ter quase nada em comum.
| Suporte | Resultado | Ideal para | Gama |
|---|---|---|---|
| Impressão contracolada (forex, cartão de espuma) | Simples, leve, sem moldura | Orçamentos apertados, amostras, séries | Entrada |
| Tela | À maneira da pintura, sem vidro | Ambientes, lifestyle | Entrada a média |
| Impressão emoldurada | Clássica, quente, sob vidro | Retratos, interiores tradicionais | Média a premium |
| Dibond | Moderno, plano, nítido | Interiores contemporâneos | Média a premium |
| Metal / alumínio | Cores intensas, contemporâneo | Paisagens, imagens gráficas | Premium |
| Painel laminado texturado | Textura, profundidade, sem reflexos incómodos | Retratos e família em grande formato | Premium |
| Contracolagem sob acrílico (Diasec) | Profundidade, intensidade, brilho | Peças principais, galeria | Premium |
Os acabamentos e o emolduramento
Moldura e perfil. O emolduramento em si. Declina-se em materiais (madeira, alumínio), cores e larguras. Muda radicalmente o aspeto e o preço do quadro.
Passe-partout. O cartão biselado colocado entre a imagem e a moldura. Valoriza a imagem dando-lhe respiração e afasta-a do vidro para a proteger. Como cobre ligeiramente as margens, a janela visível é um pouco mais pequena do que a impressão. Os catálogos dos laboratórios usam muitas vezes o termo inglês «mat» ou «matted print».
Moldura flutuante (caixa americana). Uma moldura na qual a obra parece flutuar, separada da moldura por um pequeno espaço (o «reveal») e sem que nada cubra a imagem. Aspeto de galeria contemporânea, muitas vezes sobre tela ou dibond, geralmente sem vidro. Um acabamento premium muito procurado.
Vidro de proteção. Padrão, antirreflexo, ou «vidro museu» (antirreflexo e anti-UV, topo de gama). O vidro museu é um verdadeiro argumento premium para preservar a obra. No extremo oposto, algumas molduras montam-se sem vidro: a impressão fica então diretamente acessível, o que dá um resultado muito direto e valoriza a textura do papel, mas deixa a imagem exposta aos dedos e ao atrito. Uma escolha consciente, mais para exposição do que para uma sala de família.
Laminagem (plastificação). Um filme protetor (mate, acetinado, brilhante ou texturado) aplicado sobre a impressão ou o suporte. Protege dos UV, dos riscos, da humidade e das dedadas. Quase indispensável na tela e nas contracolagens sem vidro. Levada ao nível de um verdadeiro acabamento texturado, torna-se o produto autónomo descrito mais acima.
Verniz de proteção. Uma camada protetora líquida, muitas vezes aplicada sobre a tela, como alternativa ou complemento à laminagem. Nada a ver com o verniz seletivo decorativo das capas de álbum.
Sistema de pendurar. O dispositivo nas costas do quadro (fixador, calha, grade recuada) que o torna «pronto a pendurar». Um pormenor que tranquiliza o cliente e justifica o carácter acabado do produto.
Formato à medida. A possibilidade de encomendar um quadro ao centímetro em vez dos formatos padrão do catálogo. É um argumento de venda formidável no visionamento: quando um cliente explica que tem 83 centímetros de parede entre uma porta e uma janela, poder responder «então fazemos exatamente 83» encerra a conversa. Confirma a disponibilidade e o custo adicional com o teu fornecedor.
Produtos sem pendurar. Molduras de pousar, cavaletes e caixas de exposição onde desliza uma impressão montada em passe-partout, intercambiável à vontade. O seu interesse não é estético, é comercial: respondem à objeção «não quero fazer buracos nas paredes», que aparece muito mais vezes do que se pensa. Se todo o teu catálogo de parede se fixa à parede, esse cliente sai de mãos vazias.
5. Produtos pequenos e vendas adicionais
São os produtos que os catálogos esquecem e que, ainda assim, fazem subir o valor médio da venda, muitas vezes no fim do visionamento, uma vez decididas as compras grandes.
Tríptico (triplex). Uma pasta de cartão que se abre em três folhas e apresenta duas ou três impressões. Formato pequeno, acabamento cuidado (veludo, pele, linho), efeito de presente imediato. Um dos melhores produtos «para os avós» do mercado. «Triplex» é o nome comercial que alguns laboratórios dão a este tipo de pasta.
Leporello (álbum em acordeão). Um mini-álbum dobrado em acordeão que se desenrola de uma só vez. Fica de pé, pousa-se num móvel, convida a folhear. Muito fotogénico, ideal como presente de fim de sessão ou como complemento de um álbum principal.
Mini-álbum. Versão reduzida de um álbum, muitas vezes vendida a dois ou a três para a família. Ver também o álbum dos pais, mais acima.
Pasta de apresentação. O invólucro simples com que entregas algumas impressões. Custa pouco e muda por completo a perceção da entrega: umas impressões dentro de uma pasta com o nome do teu estúdio deixam de ser impressões, passam a ser um produto.
Papelaria. Participações de nascimento, cartões de agradecimento, postais de boas festas, marcadores de livros. Produtos sazonais, fáceis de vender em quantidade, e sobretudo: cada cartão que o teu cliente envia é uma foto tua a circular com o teu nome.
6. O vocabulário do laboratório e da produção
Estes termos não se vendem, mas decidem a qualidade do que vendes. São também as palavras que vais encontrar nos catálogos e nas trocas com o teu fornecedor.
Cor e ficheiros
Perfil ICC e prova no ecrã (soft proofing). A gestão de cor que garante que o que vês no ecrã vai corresponder ao resultado impresso. Cada laboratório e cada papel têm o seu perfil. E o que separa verdadeiramente um laboratório profissional de um serviço de grande público não é apenas o acerto de cor: é a constância, ou seja obter exatamente o mesmo resultado de uma encomenda para a outra, seis meses depois, no mesmo papel.
Calibração do monitor. Regular o ecrã para que mostre cores corretas. Indispensável quando vendes impresso: um ecrã não calibrado mente-te sobre a cor, e serás tu a pagar as reimpressões.
Prova final para impressão. A validação final antes de imprimir: uma vez aprovada a prova, arranca a produção. Prático para te protegeres e para enquadrar as expectativas do cliente.
Resolução e ppp. O número de píxeis do teu ficheiro em relação ao tamanho de impressão. É o que fixa o formato máximo de uma ampliação. Os laboratórios publicam as suas exigências mínimas: verifica antes de prometeres um grande formato a um cliente, sobretudo num recorte apertado.
Nitidez. O detalhe percebido da imagem depois de impressa. Depende do ficheiro, mas também do suporte: uma superfície lisa preserva-a, uma tela ou um papel muito texturado suavizam-na.
Encomendar, receber, apresentar
Mostruário. O conjunto de amostras de materiais, papéis e capas que o teu fornecedor te vende, raramente de graça. É o melhor investimento inicial de toda a cadeia: primeiro serve-te para escolher os teus produtos, depois torna-se uma ferramenta de venda. Fazes o cliente escolher o revestimento, tal como se escolhe um papel de parede, e a encomenda passa a ser uma criação conjunta em vez de uma transação.
Produtos de demonstração. Os exemplares reais que expões no estúdio ou que levas contigo ao visionamento em casa do cliente. Têm um custo e pagam-se depressa: um cliente que segura um produto já não se pergunta se vai comprar, está a escolher qual. Manda fazê-los com as tuas próprias fotos, nunca com as imagens do catálogo do laboratório.
Prazo de produção e prazo de entrega. Duas coisas distintas, que no pior dos casos se somam. Conhece-os com precisão antes de dares uma data a um cliente, e sobretudo antes de dezembro, quando os prazos se alongam em todo o lado.
Embalagem, danos e pós-venda. Raramente destacado nos catálogos e, ainda assim, decisivo. Receber uma palete de quadros a perguntar-te o que terá chegado partido não é uma forma de trabalhar sustentável: não podes vender com tranquilidade um produto cuja entrega temes. Repara em como um fornecedor embala e, sobretudo, em como reage quando há um problema. A sua capacidade de resposta em caso de dano vale mais do que cinco por cento de desconto.
Laboratório profissional contra serviço de grande público. Um laboratório profissional trabalha exclusivamente para fotógrafos: perfis de cor documentados, gamas que o cliente final não pode encomendar sozinho, um interlocutor identificado, condições de revendedor. É este último ponto que mais pesa comercialmente: se o teu cliente pode comprar o mesmo objeto sozinho em três cliques, já não vendes um produto, vendes uma paginação.
Fabrico artesanal. Montagem, corte e encadernação feitos à mão, com controlo página a página. Explica uma parte da diferença de preço face ao industrial, e é um argumento que podes transmitir tal e qual ao cliente, ainda mais se visitaste a oficina ou se podes nomear a pessoa que fabrica os teus álbuns.
O vocabulário do preço
Coeficiente multiplicador. O multiplicador que aplicas ao teu preço de compra sem impostos para obteres o teu preço de venda. É o vocabulário de base da venda de produtos e é muito mal compreendido: o coeficiente não cobre apenas o produto, tem de absorver o IVA, os teus custos fixos, o teu tempo de paginação, de encomenda, de controlo e de entrega, e ainda o teu salário. Os fotógrafos formados em venda trabalham com coeficientes bastante mais altos do que os do comércio clássico, e modulam-nos consoante o produto. Não é um pormenor de contabilidade: determina se a tua gama é rentável ou se estás a trabalhar com prejuízo sem saber.
Taxa de margem. A não confundir com o coeficiente. A taxa de margem exprime que parte do teu preço de venda é margem, em percentagem. O teu contabilista vai falar-te em taxa de margem, o teu fornecedor e os teus colegas em coeficiente: aprende a traduzir de um para o outro, senão vais comparar números que não falam da mesma coisa.
O raciocínio a reter: não és um comerciante que compra, armazena e revende. És um artesão que cria uma imagem, a seleciona, a retoca, a pagina, a encomenda, a controla e a entrega em mão. O coeficiente de um comerciante não pode financiar o trabalho de um artesão. É exatamente por isso que tantos fotógrafos acham os seus próprios preços «demasiado caros» quando estão, na melhor das hipóteses, no ponto de equilíbrio.
7. Escolher os teus produtos: o que o vocabulário não diz
Conhecer as palavras não chega para construir uma gama. Eis o que se repete sistematicamente entre os fotógrafos que vendem muitos produtos.
Toca antes de escolher, e faz tocar. Nenhum site, nenhuma ficha de produto, nenhum léxico (este incluído) substitui ter o objeto nas mãos. A fotografia é visual, mas um produto impresso é sensorial: o grão, o peso, a flexibilidade de uma capa, a aresta de um painel. Vale para ti ao selecionares e vale para o teu cliente ao comprar.
Encomenda amostras, vai às feiras. As feiras profissionais continuam a ser a forma mais rápida de comparar dez fornecedores num dia, fazer perguntas e perceber porquê existe determinado acabamento. Na falta disso, encomenda os mostruários e uma pequena série de produtos de teste, com as tuas próprias imagens e não as do catálogo.
Confia nos colegas, com uma reserva. Os fotógrafos que já vendem um produto são os melhores prescritores. Mas se toda a gente na mesma cidade propõe a mesma gama a preços diferentes, ninguém ganha. Inspira-te e depois diferencia-te.
Procura um parceiro, não um fornecedor. Para além da qualidade de impressão, o que conta a prazo: a capacidade de resposta, um interlocutor que te conhece, um pós-venda que não discute, uma interface de encomenda que não te rouba as noites. Um bom fornecedor faz-te ganhar tempo e tira o stress. É uma parte da tua rentabilidade que não se lê em nenhuma tabela de preços.
Escolhe produtos coerentes com o teu estilo. Uma gama deve parecer-se com o teu trabalho. Um acrílico preto e brilhante num universo boémio e luminoso não terá qualquer valor aos olhos do cliente, mesmo que seja objetivamente o produto mais caro do catálogo. E nunca proponhas um produto de que não gostas: ouve-se na voz, e não se vende.
Começa pequeno, mas completo. Valem mais três produtos que conheces de cor, que tens em demonstração e cujo preço dominas, do que um catálogo de vinte referências vistas apenas em fotografia. Garante apenas que cobres as três grandes necessidades: um produto de parede, um produto álbum e um produto pequeno de presente. Idealmente, acrescenta uma opção para o cliente que não quer pendurar nada.
Conclusão
Não precisas de dominar tudo à primeira. Começa por conhecer bem os poucos produtos que queres propor e enriquece a tua gama com o tempo. O essencial é poderes guiar o teu cliente com confiança até ao suporte que melhor valorize as suas fotos.
A reter:
• O acabamento de superfície (mate, acetinado, brilhante) é a primeira escolha, e a mais visível.
• Na arte de parede, distingue sempre o suporte (tela, dibond, painel laminado, acrílico) do acabamento (moldura flutuante, laminagem, vidro).
• Desconfia dos nomes de marca: descreve o material e o processo para comparares o comparável.
• O vocabulário serve para encomendar bem e para tranquilizar; o que vende é o produto na mão.
• O produto certo não é o mais caro: é o que corresponde à imagem, à parede e ao cliente.
Índice alfabético
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